Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz revela que telemedicina e atendimento presencial têm eficácia equivalente no cuidado de pacientes com diabetes tipo 2
A telemedicina vem se tornando uma ferramenta fundamental no monitoramento de pacientes com doenças crônicas, como o diabetes tipo 2. Em pesquisa recente, conduzida pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, desenvolvida no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), foi comprovado que as teleconsultas têm a mesma eficácia dos atendimentos presenciais no acompanhamento de pacientes com diabetes tipo 2.
O estudo analisou 278 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Joinville, Santa Catarina, com idades entre 54 e 68 anos, sendo 60% do sexo feminino. Os participantes foram distribuídos em dois grupos: um recebeu atendimento por teleconsulta com endocrinologistas, enquanto o outro passou por consultas presenciais.
Após seis meses, os resultados mostraram que ambos os grupos apresentaram melhorias significativas nos níveis de hemoglobina glicada, um indicador crucial para o controle do diabetes, sem diferenças estatísticas relevantes entre os dois métodos de atendimento.
Sobre a telemedicina
A telemedicina consiste na oferta de serviços médicos à distância, utilizando tecnologias como videochamadas, aplicativos e plataformas online. Com ela, os pacientes têm a possibilidade de consultar médicos, obter diagnósticos, receber prescrições e monitorar tratamentos, tudo sem precisar se deslocar até uma unidade de saúde.
Esse modelo facilita o acesso à saúde, especialmente para pessoas que vivem em áreas remotas ou têm dificuldades de locomoção. Além disso, a telemedicina contribui para a redução das filas em hospitais e clínicas, tornando o atendimento mais rápido e eficiente.
Telemedicina X Atendimento presencial
Em um artigo recente da Agência Brasil, a gerente de pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Rosa Lucchetta, destacou que o estudo não afirma que a teleconsulta seja superior ao atendimento presencial, mas reforça sua segurança e eficácia como uma opção viável. Essa conclusão é crucial para expandir o acesso a cuidados especializados, especialmente em regiões com escassez de profissionais de saúde.
A telemedicina já vinha sendo incorporada ao SUS como uma estratégia para reduzir filas e melhorar o acesso a especialistas. Em abril de 2024, o Ministério da Saúde anunciou uma política para ampliar o uso da telessaúde, visando oferecer cuidados integrados e reduzir o tempo de espera por consultas especializadas.
Além disso, a legislação tem avançado para regulamentar e expandir o uso da telemedicina no Brasil. Em janeiro de 2023, o Distrito Federal autorizou o atendimento por telemedicina nas redes pública e privada, estabelecendo diretrizes para a capacitação dos profissionais e garantindo a segurança dos pacientes.
Heranças da pandemia
A crise sanitária de COVID-19 acelerou a implementação da telemedicina, destacando seu potencial para transformar a prestação de serviços de saúde. Estudos internacionais também têm mostrado que a telessaúde pode aprimorar a qualidade e o acesso aos cuidados médicos, especialmente em regiões remotas.
Em resumo, a teleconsulta se apresenta como uma ferramenta eficaz e segura para o acompanhamento de pacientes com diabetes tipo 2, oferecendo uma alternativa viável ao atendimento presencial e contribuindo para a democratização do acesso à saúde no Brasil.
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Fonte: Agência Brasil